terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Programação do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI) para 2018



Os debates foram tão ricos em 2017 que decidimos prosseguir com a temática Comunicação e afetos para 2018! Anote as datas de nossas reuniões :

1) 28/2/18 (quarta-feira, das 15h às 17h) - Comunicação e afetos, palestra a ser proferida pela professora doutora Malena Contrera (PPGCOM Unip);

2) 30/4/18 (segunda, das 14h às 16h) - relato de pesquisa da professora doutora Miriam Cristina Carlos Silva (Uniso);

3) 24/9/18 (segunda, das 14h às 16h) - apresentação das pesquisas dos participantes (pesquisadores e alunos), a ser realizada durante o Epecom (Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultuar da Uniso); com o lançamento do livro anual do GP (2017);

4) 29/10 (segunda, das 14h às 16h) - última reunião do ano, com lançamento do livro Nami 2018.

Em nome dos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas 
(NAMI/Uniso/CNPq) gostaríamos de desejar boas festas e um feliz 2018 a todos!

Com um abraço,

Professoras doutoras Miriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyanie Cajueiro Santos
Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Robert Walter: narrativas do sagrado


O grupo de pesquisadores ligados ao NAMI (Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas, NAMI-Uniso-CNPq)


Por Vanessa Heidemann

Terça feira, 24 de outubro de 2017. Não está tão quente como seria em um dia típico de primavera na Cidade Universitária Prof. Aldo Vannucchi, em Sorocaba, São Paulo. Acontece o encontro do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI). O palestrante convidado é estadunidense, seu nome é Robert Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation.
Joseph Campbell (1904-1987) foi um estudioso estadunidense de mitologia e é considerado um dos maiores nomes da área do século XX. Autor de vários livros, seus estudos influenciaram várias áreas, inclusive o cinema.
Nessa tarde de primavera, esse senhor alto e robusto adentra no auditório da biblioteca da Uniso. Seu traje é totalmente preto, com exceção das seis listras brancas que cortam de cima a baixo sua camisa de manga curta (três de cada lado do peito) e das faixas brancas em seu tênis. Sua roupa contrasta com os cabelos e cavanhaque que já foram negros ou talvez castanhos escuros um dia. Há um brinco dourado em uma das orelhas, um relógio dourado com pulseira preta no braço direito e uma pulseira de contas igualmente negras que remetem ao estilo zen budista. Seus olhos negros são tão marcantes que quase não se percebe os óculos simples, de armação metálica.
Quem acompanha o palestrante como anfitriã é a Prof. Dra. Monica Martinez, líder do Grupo de Pesquisa de Narrativas Midiáticas (NAMI Uniso/CNPq) e do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell.
Assim como o convidado, Monica veste preto. A indumentária destaca o colar avermelhado, alguns tons mais claros que o cabelo, este de um vermelho intenso. Lado a lado, sobre a plataforma que se ergue alguns centímetros do chão da sala, a dupla parece se complementar. 
Na fala de abertura, Monica compartilha com os presentes que Robert Walter começou a trabalhar com Joseph Campbell em 1978, sendo, portanto quase 40 anos dedicados a Fundação que o próprio Robert ajudou a fundar. Lembra que foi na década de 1990, por meio do canal TV Cultura, que os vídeos da serie de entrevistas que Campbell concedeu ao jornalista Bill Moyers intitulado “O Poder do Mito” foram divulgados pela primeira vez no Brasil. Lembra que, na época a profundidade e ao mesmo tempo a simplicidade da estrutura das narrativas míticas –
também conhecidas como jornada do herói ou monomito – causaram furor.
Aponta que, desde então, os estudos das estruturas de narrativas míticas migram para a área da comunicação por meio de nomes como o Prof. Dr. Edvaldo Pereira Lima,  um dos pioneiros na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em unir aos estudos do jornalismo as narrativas míticas, a psicologia e a mitologia.
Robert Walter, presidente da Fundação Joseph Campbell (EUA)
Ao receber o microfone, Walter pede a Monica que traduza aos presentes algumas palavras. Diz que está vivendo uma nova experiência naquele dia e que gostaria de falar em português, mas que não será possível. Conta que viajando e palestrando pelo mundo, já passou por inúmeras experiências para resolver as diferenças linguísticas como tradução simultânea, por exemplo. Porém essa é a primeira vez que seu texto será apresentado em outra língua concomitantemente a sua fala em inglês. Agradece a anfitriã por ela ter traduzido o texto possibilitando, portanto, essa nova experiência.
Walter começa a palestra dizendo que cada pessoa que conhecemos tem histórias para contar e que são elas que guiam e moldam o nosso comportamento. Essas histórias que nos moldam são os mitos.
Para explicar sua compreensão do que é mito, compartilha a história da filha de uma amiga que aos cinco anos de idade, ao passar por uma entrevista para ingressar no jardim de infância é questionada por um psicólogo se seus pais lêem para ela. Ela, então, responde que seu pai lhe conta histórias e sua mãe lhe conta mitos gregos. Surpreendido, o entrevistador pergunta se ela sabe o que é mito e ela responde: “Um mito é uma história que não é verdade do lado de fora. Mas é verdade por dentro”.
A partir dessa definição, o convidado afirma que um mito é uma história verdadeira e ao mesmo tempo não o é, uma história simples com um significado profundo. Aponta que muitas vezes mito e mitologia são usados da mesma forma, porém define mitologia como um sonho público, uma coleção de histórias que nos ensinam e auxiliam a guiar a nossa vida. 
Usando a definição dada por Joseph Campbell, explica que os mitos são como os sonhos para um indivíduo, só que num nível coletivo: revelações dos desejos mais profundos de um dado grupo social. E que essas narrativas devem ser sempre compreendidas como metáforas. Segundo Campbell, os mitos possuíam quatro funções: a mística, a cosmológica, a sociológica e a pedagógica ou psicológica.
Nesse momento, ao contar uma piada feita entre os membros da Fundação em relação às quatro funções, pela primeira vez Walter se refere a Joseph Campbell pelo apelido “Joe”. A partir de então, o apelido surgirá muitas vezes no decorrer de sua fala.
Sobre os mitos na atualidade, o senhor que traja preto aponta para os problemas que enfrentamos por vivermos em uma aldeia global fragmentada que não nos fornece mitologias viáveis. Morainas é o termo que Campbell utiliza para explicar esse fenômeno, ou seja, massas de rochas e sedimentos que são carregados e posteriormente depositados por uma geleira. Esse processo, segundo Walter, origina duas vertentes: a dos fundamentalistas, que compreendem as mitologias não como metáforas, mas sim como narrativas literais; e a de pessoas que compreendem as mitologias como uma espécie de mágica.
O mito não nos fariam sentido na atualidade, conforme a fala do palestrante, pois as histórias de nossos antepassados não nos conectam mais a realidade. A explicação cientifica do universo de forma fragmentada nos leva a perder as quatro funções mitológicas, e enquanto tribo global os mitos se fragmentam, tornando-se disfuncionais.

Após a leitura do poema The People of the Other Village (O povo da outra aldeia) do poeta Thomas Lux (1946-2017), uma breve pausa é sugerida pelo palestrante. Depois de 14 minutos de intervalo e de alguns comes e bebes, é reiniciada a fala do convidado.  
Para que haja mitos viáveis, citando Campbell, Walter afirma que precisamos revisar os mitos que herdamos. Rever um texto antigo com um novo olhar, pois é necessário desmitificar a vida antes de mitificá-la novamente. Possuir as próprias experiências e compreender as mudanças transforma a perspectiva de vida de cada um, levando à possibilidade do processo de individuação, onde cada indivíduo é responsável por si e, por extensão, pela comunidade à qual está inserido.
Segundo o convidado, não há exemplos de um herói externo a ser seguido. Cada um deve ser seu próprio herói e seu próprio salvador. É necessário, portanto, procurar “seu povo”,  “seus pares”, pois todos estão inseridos em um mesmo sistema planetário.
A palestra é desenvolvida como uma colcha de retalhos e a linha que une todas as partes é o pensamento de Campbell. A fala de Walter é metafórica e, portanto faz rir, chorar, suspirar e refletir.
 Encerrada sua fala, Walter convida os presentes a lhe fazer perguntas. Algumas questões surgem e são prontamente respondidas pelo simpático convidado, entre elas a feita pela anfitriã Monica ganha destaque pela reação de Walter. Ela pergunta se ele pode compartilhar como foi a experiência de ter conhecido Joseph Campbell.
Seguem-se alguns segundos de silêncio. Então Walter faz uma menção de sim com a cabeça. Olha fixamente alguns segundos para baixo, e conta que conheceu o mitólogo por trabalhar com publicações de livros. E que apesar de Campbell ser famoso na atualidade, no final dos anos 1970 ele não o era. Na verdade, ele levava uma vida bastante modesta em seu apartamento de dois quartos em Nova York, compartilhado com a esposa Jean Eardman. Campbell só se torna conhecido em nível mundial após seu falecimento graças ao destaque que ganha ao ser consultor de filmes como Guerra nas Estrelas, de George Lucas, e devido ao documentário O Poder do Mito. Nesse momento, enquanto compartilha algumas histórias, é perceptível sua admiração pelo mitólogo: sua fala é carregada de pequenas pausas, breves suspiros e olhares para baixo. Termina dizendo que a dedicação de Campbell ao trabalho foi grande fonte de inspiração para sua vida. Enquanto sua fala era traduzida para a plateia, Walter se debruça sobre a mesa de discurso apoiando a cabeça com uma das mãos e seu olhar parece distante.
Encerrado o encontro, alguns membros da plateia abordam o senhor simpático, que de forma solicita atende a todos. Hora está falando com um indivíduo, hora está imerso em uma roda, entretanto há certa pressa em partir. É Monica que o levará de carona de volta à São Paulo, onde ele tem uma agenda cheia de compromissos durante sua estada no país.
Distraída aguardando um colega, percebo o senhor de cabelos acinzentados se aproximando. Ele havia deixado sua blusa em cima de uma mesa próxima a mim. Para minha surpresa, ele não se dirige a mesa, mas sim, caminha diretamente na minha direção. Ele olha diretamente em meus olhos, me obrigando a apontar o queixo para cima, dada a considerável diferença de altura entre nós.
Robert Walter possui um ar de cavaleiro/sacerdote, olhar hipnotizante e humildade tocante. Viaja mundo afora carregando seu estandarte invisível, que não possui bordado o símbolo de reinos, clãs ou partidos políticos, mas sim o símbolo de algo que lhe é sagrado. Ele abre um leve sorriso e diz: “Eu gostei de ver seu sorriso durante a palestra”, no que eu ainda surpresa e meio sem jeito, respondo que achei a fala maravilhosa.  Peço desculpas por não falar inglês muito bem e ele responde: “Não tem problema”. Complemento dizendo que eu sorri muito durante sua apresentação, mas que também chorei. Ele, então, abre um grande sorriso e dá de ombros como quem diz: “Fazer o quê, né?”. Seu olhar é tão penetrante que não me recordo o que foi dito depois, apenas que digo que o verei no dia seguinte numa próxima palestra, esta no Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell, na Granja Viana, São Paulo. Ao que ele responde: “OK” levantando uma das mãos para esboçar um tchau, já caminhando em direção à saída.

Ao vê-lo partir, é quase possível visualizar seu estandarte invisível sendo carregado com esmero, com os símbolos bordados imaginários formados pela junção de três letras em um dourado reluzente que para ele é sagrado: “Joe”. Foi, sem dúvida, uma grande forma de encerrar o primeiro ano (de dois, em 2018 tem mais!) do ciclo de estudos sobre comunicação e afetos. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

24/10 - 14h - Palestra de Robert Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation (EUA)



O Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade tem o prazer de  convidar para a palestra de Robert Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation, que  será realizada na terça-feira, 24/10, das 14h às 16h. 

Após a morte de Campbell em 1987, Walter ficou responsável pela supervisão da obra de Campbell, completando os volumes I e II do Historical Atlas of World Mythology, bem como a edição 2008 de The Hero with the Thousand Faces.

A Joseph Campbell Foundation tem sede na Califórnia (EUA) e coordena mesas redondas (roundtables) de discussão sobre mitologia em todo o mundo com o objetivo de estimular os estudos de mitologia e religião comparada a partir da perspectiva de Joseph Campbell (1904-1987), mitólogo estadunidense considerado um dos maiores estudiosos dessa área no século 20. 


Serviço
Trata-se de um evento certificado, válido como atividade complementar (graduação) e atividade supervisionada (pós-graduação).  
                                        
Data: 24 de outubro de 2017, terça-feira
Horário: 14h às 16h
Local: Auditório da Biblioteca, 
Cidade Universitária Prof. Aldo Vannucchi - Uniso



Atenciosamente,


Profas. Dras. Monica Martinez, Miriam Cristina Carlos Silva e Tarcyanie Cajueiro Santos


Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura
Universidade de Sorocaba - UNISO
http://namiuniso.blogspot.com
Rodovia Raposo Tavares, km, 92.5
Cidade Universitária - CEP 18023-000
Sorocaba - São Paulo - Brasil
Maiores informações: Tel.: 55 (15) 2101-7104 (segunda à sexta-feira, das 9h às 17h). 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

25/9 - 14h - Próximo encontro do NAMI será realizado durante o EPECOM 2017




É com satisfação que convidamos para o próximo encontro do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas, que será realizado no dia 25/9 (segunda), das 14h às 17h, por meio da apresentação das pesquisas dos participantes (pesquisadores e alunos), a ser realizada durante o Epecom (Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultuar da Uniso).

Na oportunidade, ocorrerá o lançamento do livro anual do GP, "Umberto Eco em Narrativas" (Provocare, 2017). 

Cordialmente, 

Monica Martinez, líder do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (CNPq/Uniso), 
Miriam Cris Carlos Silva (vice-líder) e Tarcyane Cajueiro.

domingo, 25 de junho de 2017

26/6 - Cancelado segundo encontro do NAMI/Uniso





Lamentamos informar que o segundo encontro do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (Nami/CnPq/Uniso), que seria realizado amanhã, dia 26 de junho de 2017, foi cancelado devido a um imprevisto com a palestrante. A palestra com a Profa. Dra. Malena Contrera  será reagendada para o segundo semestre de 2017 e a nova data divulgada oportunamente. 

Cordialmente,

Profas. Dras. Miriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyane Cajueiro

Por Cida Montesino

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Para entender mais, usar melhor e até colaborar com a Wikipédia


Fonte: Wikipedia/Creative Commons

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”, Mahatma Gandhi


SOROCABA – Em nenhum momento durante a palestra realizada na última segunda-feira, dia 19 de junho de 2017, o professor João Alexandre Peschanski mencionou o pacificador líder indiano Mahatma Gandhi (1869/1948). Mas a frase acima descrita resume o pensamento do professor ao perceber a potência da Wikipédia (enciclopédia eletrônica gratuita) e, assim, ao munir-se dela para espalhar seus conhecimentos. “Faço parte do grupo de inclusionistas dos wikipedistas (editores voluntários), acredito que o conhecimento é transformador e o acesso deve ser o mais amplo possível”, disse na ocasião.

A fala do professor da Faculdade Casper Líbero, mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando em Sociologia pela Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), vai além do ato de palestrar sobre a importância e a potência emancipadora da Wikipédia, como aconteceu na Universidade de Sorocaba (Uniso), a convite das professoras doutoras Monica Martinez, Miriam Cristina Carlos Silva e Tarcyanie Cajueiro Santos, coordenadoras do Grupo de Pesquisas em Narrativas Midiáticas (Nami/Uniso/Cnpq).

“Se pensarmos que, somente em 2016 a Wikipédia teve mais de 16 bilhões de acessos, cerca de 16 milhões ao mês, nos damos conta de sua amplitude, alcance e poder”, sintetizou. Mas não foi apoiado somente nos dados de acesso que o professor se pautou para a afirmação. Criada em 2001 como uma enciclopédia eletrônica gratuita, escrita de forma colaborativa por voluntários espalhados pelos cinco continentes, e disponível em 250 idiomas, a Wikipédia está desde 2007 entre os dez sites mais acessados do mundo. O primeiro citado em buscas do Google – um dos principais financiadores/colaboradores da plataforma.

Para se ter uma ideia, pontuou Peschanski, somente em inglês há mais de 5 milhões de verbetes. Na língua portuguesa há 971.337 artigos e 5.950 usuários (colaboradores) ativos. Dados que levaram o professor a observar duas características peculiares entre os verbetes em português. Primeiro que a maior parte dos assuntos publicados, principalmente pelos usuários oriundos do Brasil, está relacionada a futebol e/ou entretenimento (filmes e música); segundo que a comunidade brasileira é tida como tóxica, conhecida por promover discussões em tom agressivo e vandalizar principalmente verbetes de cunho político.

Segundo ele, por conta do perfil brasileiro de baixa escolaridade, não há muitos artigos de qualidade (em conteúdo), de cunho científico ou sobre nossos pesquisadores notáveis. “Esta lacuna é visível, principalmente se compararmos às publicações europeias”, observou. Sem contar que, ainda de acordo com o professor, é justamente esse perfil que sinaliza a postura irresponsável de muitos usuários em vandalizar verbetes. Por essa razão, nos últimos quatro anos, Peschanski tem se debruçado sobre projetos de desenvolvimento de verbetes qualitativos para a enciclopédia eletrônica.

Notas sobre as eleições municipais de 2016 em Rio Claro (SP); sobre todos os museus existentes na cidade de São Paulo (SP); verbetes sobre mulheres notáveis do mundo; e um museu online da Matemática – explicativo, didático e inclusivo. Projetos estes que somam mais de 300 textos, desenvolvidos com alunos de graduação e/ou demais colegas pesquisadores, sendo que alguns deles contam com financiamento público. Trata-se da melhor forma de “seja a mudança que você quer ver no mundo”, conforme ensinou Mahatma Gandhi.

Importante
A contribuição de voluntários junto dos verbetes da Wikipédia é simples e não precisa necessariamente estar cadastrado no portal – o que também é gratuito. Porém, ao alterar um texto, o IP do computador usado para a alteração é registrado pelo programa do site, gerando um histórico daquela origem. Ampliando, posteriormente, melhor análise dos editores da enciclopédia sobre as contribuições daquele usuário/IP. Vale começar familiarizando-se com as regras gerais, chamadas de Cinco Pilares da Wikipédia, disponíveis aqui

Por Leila Gapy

terça-feira, 13 de junho de 2017

19/6 - 9h - Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI-Uniso/CNPq) convida para palestra sobre produção de narrativas para Wikipedia




O Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI), do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba, convida para a palestra de João Alexandre Perchanski, professor de Ciência Política na Faculdade Cásper Líbero e doutorando da Universidade de Wisconsin-Madison, intitulada: "The 100wikidays project: one entry per day on notable women for one hundred days/ Cem Wikidias: um verbete por dia sobre mulheres notáveis por 100 dias", que auxiliou o autor a superar a fase de luto pela morte da mãe, a neurologista brasileira Nair Fonseca, no início deste ano. O texto sobre a experiência está disponível aqui. E seu artigo mais recente sobre a Wikipedia, apresentado na 27a. Compós, aqui

Trata-se de um evento certificado, válido como atividades complementares (graduação) e atividades supervisionadas (pós-graduação).  
                                        
 
Data: 19 de junho de 2017, próxima segunda-feira
Horário: 9h às 12h
Local: Auditório da Biblioteca, 
Cidade Universitária Prof. Aldo Vannucchi 
 

Atenciosamente,


Profas. Dras. Monica Martinez, Miriam Cristina Carlos Silva e Tarcyanie Cajueiro Santos

Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura
Universidade de Sorocaba - UNISO
http://namiuniso.blogspot.com
Rodovia Raposo Tavares, km, 92.5
Cidade Universitária - CEP 18023-000
Sorocaba - São Paulo - Brasil
Tel.: 55 (15) 2101-7104

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Comunicação e afeto: relato sobre o primeiro encontro de 2017 do Nami



SOROCABA - Comunicação e Afeto. Com este tema – sob a perspectiva da importância da observação para criação da afetividade e resiliência –, o Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI) da Universidade de Sorocaba (UNISO) realizou, no último dia 24 de abril, seu primeiro encontro de 2017.

O evento, que aconteceu nas dependências do campus da Cidade Universitária Professor Aldo Vannucchi, foi marcado pela coordenação das professoras doutoras Monica Martinez e Tarcyane Cajueiro Santos. Na ocasião, elas abordaram o tema central a partir do olhar do etólogo francês Boris Cyrulnik, por meio dos livros Os alimentos do afeto (1995) e Autobiografia de um espantalho - histórias de resiliência: o retorno à vida (2009).

Boris Cyrulnik é neuropsiquiatra, psicólogo, psicanalista e etologista – um dos pioneiros em etologia clínica humana na França. Já trabalhou com observação de comportamento animal, o que por extensão o levou à observação do comportamento humano, norteando, posteriormente, seus estudos sobre problemas relacionais.


O autor por trás das obras

“O prazer de a pessoa se tornar ela mesma, de saber quem é, de onde vem, como gosta de viver, passa pelo vínculo que ela estabelece com os outros”, Boris Cyrulnik em Os alimentos do afeto.

Essa jornada pelo comportamento e relações humanas foi pautada por sua história de vida, marcada por traumatizantes acontecimentos familiares que lhe perturbaram a infância. De origem judia, seus pais e a irmã foram deportados para um campo de concentração na Alemanha/Polônia, durante a 2ª Guerra Mundial (1939/1945), onde morreram.

Ele, por sua vez, foi salvo pela mãe ao ser arremessado do trem, em movimento, que seguia para o campo. Por sorte ou destino, encontrou com pessoas que o acolheram e educaram-no como um filho. Foi a partir deste encontro que o menino Boris pode elaborar os traumas sofridos, o princípio da resiliência.

Comunicação e afeto

“Os olhos não servem apenas para ver. Servem também para os olhares se cruzarem e trocarmos nossos afetos”, Boris Cyrulnik, em Os alimentos do afeto.

Para Cyrulnik, estudar a afetividade sob o olhar da força biológica sensorial e da comunicação material é uma alternativa para compreender a união dos seres humanos e sua estrutura de coexistência.

O homem é um fabricante de signos e o comportamento humano está intimamente ligado à afetividade e à resiliência. Segundo o etólogo, habitamos um mundo interpretado por outros, onde precisamos nos situar. O mundo inter-humano é um mundo onde nossos sentidos ganham sentido e nossa sensorialidade se impregna de história. “Ela governa tanto nossas emoções quanto nossas percepções”, explica.

Em seu livro Os alimentos do afeto, Boris também exemplifica a ideia com uma passagem de um mestre da música sobre sua relação de comunicação e afeto, onde diz “não amo os homens o bastante para amar a linguagem”, daí a afirmação “antes de falar é preciso amar”.

Segundo o autor, a importância dos sentimentos reflete na forma como aprendemos, referenciamos o mundo e nos comunicamos, pois “o caminho do homem no aprendizado de uma língua, não precisa somente assimilar o sons, as regras e as palavras; precisa adquirir também a maneira de traduzir seus sentimentos nessa língua”.

No universo tudo é codificado, explica. Para ele, nossos sentidos sempre participam da apresentação do mundo percebido em signos, mesmo antes dos sons que permitem a fala, tamanha é a importância em gerenciar esses sentimentos e sentidos humanos para conseguir ir ao encontro do outro.

A observação também é um tema enfatizado pelo psiquiatra, pois é por meio dela que adquirimos o saber. Mas, no entanto, observamos somente aquilo que conseguimos perceber. Em pesquisas científicas é bastante comum utilizar técnicas de observação, que segundo o autor fazem-se necessárias justamente porque nossos sentidos nos enganam. A “penetração do observador depende também da maneira como sua faculdade de observação se elaborou ao longo de seu próprio desenvolvimento”, diz.

Sob esse ponto de vista, a discussão foi a de que a observação nunca é neutra, ela envolve a percepção que por sua vez envolve os sentidos, a psique e todo o sistema.

A importância da resiliência

"O sofrimento é provavelmente o mesmo em todo ser humano traumatizado, mas a expressão de seu tormento, o remanejamento emocional do que o destruiu depende dos tutores de resiliência que a cultura dispõe em torno do ferido. O convite à fala ou a obrigação do silêncio, o suporte afetivo ou o desprezo, a ajuda social ou o abandono carregam uma mesma ferida de um significado segundo o modo como as culturas estruturam seus relatos, fazendo um mesmo acontecimento passar da vergonha para o orgulho, da sombra para a luz", Boris Cyrulnik, em Autobiografia de um espantalho.

Para finalizar o encontro, a reflexão se estendeu em torno da narrativa, de acordo com os estudos de Boris, de que o ser humano pode contar a história de formas diferentes, todas verdadeiras, mas com variações sutis de acordo com as múltiplas variantes possíveis, como os repertórios individuais. Com a reflexão apoiada no livro Autobiografia de um espantalho, a discussão pontuou a necessidade da resiliência para a construção de um mundo evolutivo, melhor e mais humano.

O conhecimento de que as histórias constroem e destroem, de que há poder nas palavras e na forma como contamos as jornadas e os fatos, esbarra no poder e na necessidade de resiliência. A importância de sobreviver, mas de forma plena, diante das intempéries da vida assinala a qualidade dessa vivência.

Cida Montesino

segunda-feira, 10 de abril de 2017

24/4/2017- 14h - Primeiro encontro do Nami debate obras do etólogo francês Boris Cyrulnik sobre comunicação e afeto


"O prazer de a pessoa se tornar ela mesma, de saber quem é, de onde vem, como gosta de viver, passa pelo vínculo que ela estabelece com os outros" 
Boris Cyrulnik, Os alimentos do afeto, p. 96


No primeiro encontro de 2017, as professoras doutoras Tarcyane Cajueiro Santos e Monica Martinez abordarão respectivamente os livros Os alimentos do afeto e Autobiografia de um espantalho: histórias de resiliência, do etólogo francês Boris Cyrulnik. 

Após a apresentação se seguirá debate e lanche.

Os encontros são abertos à comunidade interna e externa, sendo também certificados, valendo créditos para os mestrandos e graduandos da Uniso e de outras instituições.

Serviço

Quando: 24/4/2017, segunda-feira
Horário: das 14h às 17h
Onde: Auditório da Biblioteca
Universidade de Sorocaba
Rodovia Raposo Tavares, km. 92.5
Cidade Universitária, Sorocaba, SP