sexta-feira, 6 de abril de 2018

7/5/2018 - Palestra de Miriam Cristina Carlos Silva sobre Afetos e Representações Poéticas da Morte nas Narrativas Midiáticas

Saturno devorando a su hijo (Francisco de Goya, 1819-1823)


O Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI/Uniso/CNPq), do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba, tem o prazer de convidá-lo (a) para nossa segunda reunião de 2018, na qual a professora doutora Miriam Cristina Carlos Silva destacará a questão do afeto nos resultados preliminares de sua pesquisa atual, Representações Poéticas da Morte nas Narrativas Midiáticas (Uniso/Fapesp).

Na oportunidade, estará sendo realizado o lançamento do livro O Verso da Máscara: processos Comunicacionais nos larps e RPGs de mesa, do pesquisador Tadeu Rodrigues Iuama, que integra o NAMI. A obra é resultado de sua dissertação de mestrado junto ao PPGCC da Uniso.  

O evento acontecerá no dia 7/5/18, segunda-feira, das 14h às 17hno Auditório  da Biblioteca, na Cidade Universitária Prof. Aldo Vannucchi - Uniso, localizada na Rodovia Raposo Tavares, km, 92, Sorocaba, São Paulo.

O evento é gratuito e aberto à comunidade. Apenas solicitamos que os interessados em participar levem frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche de encerramento.

Profa. Dra. Monica Martinez, lìder
Em nome do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI/Uniso/CNPq)

Serviço
Trata-se de um evento certificado, válido como atividade complementar (para alunos de gradução) e atividade supervisionada (pós-graduação).

Data: 7 de maio de 2018, segunda-feira
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório da Biblioteca, Cidade Universitária Prof. Aldo Vannuchi, Universidade de Sorocaba, km 92 da Rodovia Raposo Tavares, Sorocaba.                                  

segunda-feira, 5 de março de 2018

28/2/2018 - Relato da palestra de Malena Contrera sobre "A Comunicação e os afetos"




No dia 28 de fevereiro, foi realizado o primeiro encontro do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI/Uniso/CNPq) de 2018. Dando continuidade ao tema trabalhado no ano anterior, Comunicação e Afetos, recebemos como convidada a Profa. Dra. Malena Segura Contrera, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Paulista (Unip).
A professora Malena fez um panorama sobre um campo de estudos na área da Comunicação que lhe é muito caro: o dos afetos. Segundo ela, os estudos desenvolvidos no Brasil, principalmente a partir da década de 1990, provêm da interface com duas outras áreas. A primeira é a filosofia, em particular pela influência do pensador francês Michel Maffesoli, por meio do qual os estudos no país começaram gradualmente a migrar do aspecto político para o dos afetos propriamente ditos. Para a pensadora, é importante notar que Maffesoli, em contraposição à noção weberiana de desencantamento de mundo, propõe um “reencantamento” na contemporaneidade, com o qual, aliás, ela discorda. Desta vertente, a filosófica, teriam bebido importantes teóricos brasileiros, tais como Muniz Sodré, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob supervisão do qual a professora conduziu seu pós-doutorado, e o professor Ciro Marcondes Filho, da Universidade de São Paulo. A segunda interface, segundo ela mais fértil, é a com a antropologia. Ainda nos anos 1990, outro pesquisador, o brasileiro Norval Baitello Junior, propôs um olhar acerca dos afetos – que ele chama de vínculos -- em sua obra O animal que parou os relógios (Annablume, 1999).
Ainda hoje, ela diz que, apesar de existir uma maior abertura para os estudos acerca do afeto, haveria dificuldades de se conseguir verbas para o desenvolvimento de estudos sobre o afeto em Comunicação, uma vez que os mesmos não gerariam grandes patentes ou royalties, não sendo valorizados do ponto de vista mercadológico. Ainda assim, ela lembra que os pesquisadores europeus, no século XXI, compreenderam a importância de avançar os estudos sobre afeto. E que apesar de não ser um tema que “dê ibope”, ele gera um grande impacto na vida das pessoas que entram em contato com o assunto.
Para avançar nos estudos, ela esclarece a importância em se distinguir os conceitos de afeto, emoção e sentimento. De acordo com ela, os pensadores da área que seguem a linha de Maffesoli, por exemplo, não costumam diferir os conceitos entre si.  Já os estudiosos ligados à linha antropológica, como Baitello Júnior, o francês Edgar Morin e os alemães Christoph Wulf e Dietmar Kamper (1936-2001), entendem que o corpo não está separado da alma como defendido no contexto do método filosófico cartesiano.
Lembrando a complexidade hologramática proposta por Morin, Contrera afirma que dentro desta perspectiva: “Em toda a parte está o todo”. Citando o pensador, diz: “Toda Ciência vem com a consciência de que o sujeito está no objeto”. O olhar antropológico, empírico, envolve o sujeito que precisa averiguar o fenômeno pessoalmente, ou seja, de corpo e alma.
Para a pesquisadora brasileira, a grande questão do afeto está diretamente ligada ao corpo. Assim, compreender o afeto seria compreender de que forma o corpo o recebe. Etólogos, como o neerlandês Frans de Waal, por meio de obras como A Era da Empatia (Cia das Letras, 2010), já teriam apontado para o crescente abandono e consequências deste na história do corpo.
Este abandono implicaria em um menor protagonismo do corpo, o que geraria usuários apáticos, demasiadamente prontos e aptos para o consumo sem uma visão crítica necessária ao seu exercício. Este fenômeno é facilmente observado, segundo a pesquisadora, por meio do grande desenvolvimento dos ambientes virtuais. A professora indica o filme Denise está chamando (Denise Calls Up), dirigido por Hal Salveen, de 1995, para uma melhor compreensão de como a ausência do corpo afeta as relações.
Pouco antes do término de sua fala, como uma cereja de um bolo já saboroso, Malena define o que é afeto por meio de uma vertente ligada à psicologia: “Afeto é aquilo que me afeta”, lembrando que há de se questionar por que certas coisas nos afetam e outras não.
Após um afetuoso debate final entre os presentes, o primeiro encontro do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas foi encerrado com o tradicional momento dos comes e bebes.
O segundo encontro será no dia 7 de maio (segunda, das 14h às 16h) e contará com o relato de pesquisa atual da Profa. Dra. Míriam Cristina Carlos Silva (Uniso), que também envolve o tema. Anote na agenda!
Vanessa Heidemann

Trailer do filme Denise está chamando: https://www.youtube.com/watch?v=nMsQ2jWom_M

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

28/2/2018 - Palestra de Malena Contrera sobre Comunicação e Afetos



O Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI/Uniso/CNPq), do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba, tem o prazer de convidá-lo (a) para nossa primeira reunião de 2018, que terá a professora doutora Malena Segura Contrera (PPGCOM Unip) como convidada palestrante.

O evento acontecerá no dia 28/02/18, quarta-feira, das 15h às 17hno Auditório do Bloco C, na Cidade Universitária Prof. Aldo Vannucchi - Uniso, localizada na Rodovia Raposo Tavares, km, 92, Sorocaba, São Paulo.

A palestra terá como tema a Comunicação e os afetos, questão que abordamos nas reuniões de 2017 e que prosseguirá em pauta neste ano. Lembramos, igualmente, que a chamada para nosso e-book de 2018, Afetos em Narrativas, segue aberta até 30/3. Veja as diretrizes aqui

Leitura sugerida para o encontro: O coração resiliente (http://www.ijep.com.br/index.php?sec=artigos&id=336&ref=o-coracao-resiliente#conteudo)
 ​
Cordialmente,

Professoras doutoras Miriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyane Cajueiro. 



Maiores informações:
Universidade de Sorocaba – Uniso
Coordenação de Pós Graduação em Comunicação e Cultura
Tel: +55 15 2101-7104
E-mail: comunicacao.cultura@uniso.br

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Programação do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI) para 2018


Os debates foram tão ricos em 2017 que decidimos prosseguir com a temática Comunicação e afetos para 2018! Anote as datas de nossas reuniões :

1) 28/2/18 (quarta-feira, das 15h às 17h) - Comunicação e afetos, palestra a ser proferida pela professora doutora Malena Contrera (PPGCOM Unip). Leitura sugerida para o encontro: Coração Resiliente

2) 7/5/18 (segunda, das 14h às 16h) - relato de pesquisa da professora doutora Miriam Cristina Carlos Silva (Uniso);

3) 24/9/18 (segunda, das 14h às 16h) - apresentação das pesquisas dos participantes (pesquisadores e alunos), a ser realizada durante o Epecom (Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultuar da Uniso); com o lançamento do livro anual do GP (2017);

4) 29/10 (segunda, das 14h às 16h) - última reunião do ano, com lançamento do livro Nami 2018.

Em nome dos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas 
(NAMI/Uniso/CNPq) gostaríamos de desejar boas festas e um feliz 2018 a todos!

Com um abraço,

Professoras doutoras Miriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyanie Cajueiro Santos
Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Chamada para e-book afetos em narrativas

                            
O Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI), do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso), tem a satisfação de convidá-lo(a) para participar do livro Afetos em Narrativas, que reunirá estudos que problematizem as narrativas a partir das discussões teóricas e/ou obras literárias sobre os afetos.

As propostas devem estar concentradas na área de Comunicação, podendo apresentar interfaces com áreas afins. Acredita-se que esse diálogo, feito por meio de análises históricas, político-culturais, estéticas, visuais e textuais, entre outras, possa contribuir para o alargamento dos debates no âmbito das narrativas midiáticas. Todas as abordagens metodológicas são bem-vindas, desde que explicitadas.  

Os artigos deverão aderir a um dos eixos temáticos a seguir:
I – Os afetos e a pesquisa em  comunicação: contribuições teóricas
II – Os afetos e a pesquisa em comunicação: contribuições metodológicas
III – Os afetos e a pesquisa em comunicação: contribuições práticas
IV – Os afetos nas mídias: análises sobre narrativas midiáticas

Seleção
Para seleção preliminar dos textos, pedimos aos autores que enviem por e-mail (namiuniso.afetoenarrativas@gmail.com ) um resumo estruturado em português (template disponível aqui) de propostas de pesquisa contendo de 250 a 400 palavras, redigidas com fonte tipo Times New Roman, corpo 12 e espaçamento 1,5 justificado, em formato “.doc”. O prazo de envio se encerra em 30 de março de 2018. O resumo deverá estar no template anexo e conter introdução, objetivos, delineamento do estudo, método e resultados esperados.

No início de cada proposta devem constar os seguintes itens na ordem listada abaixo:

- Título do trabalho (mesmo que provisório) (fonte tipo Times New Roman, corpo 12 e espaçamento 1,5 em negrito e centralizado) acompanhado de nota de rodapé na qual conste o eixo temático selecionado (fonte corpo 10 e espaçamento simples justificado);

- Nome dos autores (fonte tipo Times New Roman, corpo 12 e espaçamento simples em negrito e alinhados à direita) acompanhados de notas de rodapé com resumos dos currículos de cada pesquisador em até três linhas (fonte corpo 10 e espaçamento simples justificado);

- Nome da instituição à qual estão filiados (fonte tipo Times New Roman, corpo 12 e espaçamento simples sem negrito e alinhado à direita).

A comunicação dos aceites dos resumos dos capítulos selecionados ocorrerá por envio de e-mail por parte dos editores da publicação, até 30 de abril de 2018.

Os capítulos devem ser enviados até 30 de maio de 2018 por e-mail (namiuniso.afetoenarrativas@gmail.com). Cada capítulo deve ser redigido conforme as orientações específicas e ter entre 20 mil e 35 mil caracteres (com espaço), já incluindo na contagem as notas de rodapé e as referências. Cada capítulo será revisado pelos editores da publicação. O resultado da revisão, com eventuais sugestões de ajustes e/ou modificações, será comunicado aos autores por e-mail até 30 de junho de 2018. Para envio por e-mail do texto final, já devidamente ajustado, normalizado e revisado, o prazo se encerra em 30 de julho de 2018.


Lançamento
A previsão para o lançamento do livro em versão digital é 29 de outubro de 2018, data de evento comemorativo que também marcará a última reunião do NAMI no ano.

Editoras:  Profas. Dras. Míriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyane Cajueiro (Uniso)

Editores assistentes: Isabella Reis Pichiguelli e Thiago Arioza (Uniso)


*Para envio do resumo estruturado, consultar template anexo.

Cronograma

·         Prazo para submissão de artigos: 30 março de 2018
·         Notificação do aceite: 30 de abril de 2018
·         Prazo para envio do capítulo: 30 de maio de 2018
·         Prazo dos editores para envio de sugestões: 30 de junho de 2018
·         Prazo dos autores para envio da versão final contemplando sugestões dos editores: 30 de julho de 2018
·         Publicação: 29 de outubro de 2018



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Programação do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI) para 2018



Os debates foram tão ricos em 2017 que decidimos prosseguir com a temática Comunicação e afetos para 2018! Anote as datas de nossas reuniões :

1) 28/2/18 (quarta-feira, das 15h às 17h) - Comunicação e afetos, palestra a ser proferida pela professora doutora Malena Contrera (PPGCOM Unip);

2) 7/5/18 (segunda, das 14h às 16h) - relato de pesquisa da professora doutora Miriam Cristina Carlos Silva (Uniso);

3) 24/9/18 (segunda, das 14h às 16h) - apresentação das pesquisas dos participantes (pesquisadores e alunos), a ser realizada durante o Epecom (Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultuar da Uniso); com o lançamento do livro anual do GP (2017);

4) 29/10 (segunda, das 14h às 16h) - última reunião do ano, com lançamento do livro Nami 2018.

Em nome dos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas 
(NAMI/Uniso/CNPq) gostaríamos de desejar boas festas e um feliz 2018 a todos!

Com um abraço,

Professoras doutoras Miriam Cristina Carlos Silva, Monica Martinez e Tarcyanie Cajueiro Santos
Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Robert Walter: narrativas do sagrado


O grupo de pesquisadores ligados ao NAMI (Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas, NAMI-Uniso-CNPq)


Por Vanessa Heidemann

Terça feira, 24 de outubro de 2017. Não está tão quente como seria em um dia típico de primavera na Cidade Universitária Prof. Aldo Vannucchi, em Sorocaba, São Paulo. Acontece o encontro do Grupo de Pesquisa em Narrativas Midiáticas (NAMI). O palestrante convidado é estadunidense, seu nome é Robert Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation.
Joseph Campbell (1904-1987) foi um estudioso estadunidense de mitologia e é considerado um dos maiores nomes da área do século XX. Autor de vários livros, seus estudos influenciaram várias áreas, inclusive o cinema.
Nessa tarde de primavera, esse senhor alto e robusto adentra no auditório da biblioteca da Uniso. Seu traje é totalmente preto, com exceção das seis listras brancas que cortam de cima a baixo sua camisa de manga curta (três de cada lado do peito) e das faixas brancas em seu tênis. Sua roupa contrasta com os cabelos e cavanhaque que já foram negros ou talvez castanhos escuros um dia. Há um brinco dourado em uma das orelhas, um relógio dourado com pulseira preta no braço direito e uma pulseira de contas igualmente negras que remetem ao estilo zen budista. Seus olhos negros são tão marcantes que quase não se percebe os óculos simples, de armação metálica.
Quem acompanha o palestrante como anfitriã é a Prof. Dra. Monica Martinez, líder do Grupo de Pesquisa de Narrativas Midiáticas (NAMI Uniso/CNPq) e do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell.
Assim como o convidado, Monica veste preto. A indumentária destaca o colar avermelhado, alguns tons mais claros que o cabelo, este de um vermelho intenso. Lado a lado, sobre a plataforma que se ergue alguns centímetros do chão da sala, a dupla parece se complementar. 
Na fala de abertura, Monica compartilha com os presentes que Robert Walter começou a trabalhar com Joseph Campbell em 1978, sendo, portanto quase 40 anos dedicados a Fundação que o próprio Robert ajudou a fundar. Lembra que foi na década de 1990, por meio do canal TV Cultura, que os vídeos da serie de entrevistas que Campbell concedeu ao jornalista Bill Moyers intitulado “O Poder do Mito” foram divulgados pela primeira vez no Brasil. Lembra que, na época a profundidade e ao mesmo tempo a simplicidade da estrutura das narrativas míticas –
também conhecidas como jornada do herói ou monomito – causaram furor.
Aponta que, desde então, os estudos das estruturas de narrativas míticas migram para a área da comunicação por meio de nomes como o Prof. Dr. Edvaldo Pereira Lima,  um dos pioneiros na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em unir aos estudos do jornalismo as narrativas míticas, a psicologia e a mitologia.
Robert Walter, presidente da Fundação Joseph Campbell (EUA)
Ao receber o microfone, Walter pede a Monica que traduza aos presentes algumas palavras. Diz que está vivendo uma nova experiência naquele dia e que gostaria de falar em português, mas que não será possível. Conta que viajando e palestrando pelo mundo, já passou por inúmeras experiências para resolver as diferenças linguísticas como tradução simultânea, por exemplo. Porém essa é a primeira vez que seu texto será apresentado em outra língua concomitantemente a sua fala em inglês. Agradece a anfitriã por ela ter traduzido o texto possibilitando, portanto, essa nova experiência.
Walter começa a palestra dizendo que cada pessoa que conhecemos tem histórias para contar e que são elas que guiam e moldam o nosso comportamento. Essas histórias que nos moldam são os mitos.
Para explicar sua compreensão do que é mito, compartilha a história da filha de uma amiga que aos cinco anos de idade, ao passar por uma entrevista para ingressar no jardim de infância é questionada por um psicólogo se seus pais lêem para ela. Ela, então, responde que seu pai lhe conta histórias e sua mãe lhe conta mitos gregos. Surpreendido, o entrevistador pergunta se ela sabe o que é mito e ela responde: “Um mito é uma história que não é verdade do lado de fora. Mas é verdade por dentro”.
A partir dessa definição, o convidado afirma que um mito é uma história verdadeira e ao mesmo tempo não o é, uma história simples com um significado profundo. Aponta que muitas vezes mito e mitologia são usados da mesma forma, porém define mitologia como um sonho público, uma coleção de histórias que nos ensinam e auxiliam a guiar a nossa vida. 
Usando a definição dada por Joseph Campbell, explica que os mitos são como os sonhos para um indivíduo, só que num nível coletivo: revelações dos desejos mais profundos de um dado grupo social. E que essas narrativas devem ser sempre compreendidas como metáforas. Segundo Campbell, os mitos possuíam quatro funções: a mística, a cosmológica, a sociológica e a pedagógica ou psicológica.
Nesse momento, ao contar uma piada feita entre os membros da Fundação em relação às quatro funções, pela primeira vez Walter se refere a Joseph Campbell pelo apelido “Joe”. A partir de então, o apelido surgirá muitas vezes no decorrer de sua fala.
Sobre os mitos na atualidade, o senhor que traja preto aponta para os problemas que enfrentamos por vivermos em uma aldeia global fragmentada que não nos fornece mitologias viáveis. Morainas é o termo que Campbell utiliza para explicar esse fenômeno, ou seja, massas de rochas e sedimentos que são carregados e posteriormente depositados por uma geleira. Esse processo, segundo Walter, origina duas vertentes: a dos fundamentalistas, que compreendem as mitologias não como metáforas, mas sim como narrativas literais; e a de pessoas que compreendem as mitologias como uma espécie de mágica.
O mito não nos fariam sentido na atualidade, conforme a fala do palestrante, pois as histórias de nossos antepassados não nos conectam mais a realidade. A explicação cientifica do universo de forma fragmentada nos leva a perder as quatro funções mitológicas, e enquanto tribo global os mitos se fragmentam, tornando-se disfuncionais.

Após a leitura do poema The People of the Other Village (O povo da outra aldeia) do poeta Thomas Lux (1946-2017), uma breve pausa é sugerida pelo palestrante. Depois de 14 minutos de intervalo e de alguns comes e bebes, é reiniciada a fala do convidado.  
Para que haja mitos viáveis, citando Campbell, Walter afirma que precisamos revisar os mitos que herdamos. Rever um texto antigo com um novo olhar, pois é necessário desmitificar a vida antes de mitificá-la novamente. Possuir as próprias experiências e compreender as mudanças transforma a perspectiva de vida de cada um, levando à possibilidade do processo de individuação, onde cada indivíduo é responsável por si e, por extensão, pela comunidade à qual está inserido.
Segundo o convidado, não há exemplos de um herói externo a ser seguido. Cada um deve ser seu próprio herói e seu próprio salvador. É necessário, portanto, procurar “seu povo”,  “seus pares”, pois todos estão inseridos em um mesmo sistema planetário.
A palestra é desenvolvida como uma colcha de retalhos e a linha que une todas as partes é o pensamento de Campbell. A fala de Walter é metafórica e, portanto faz rir, chorar, suspirar e refletir.
 Encerrada sua fala, Walter convida os presentes a lhe fazer perguntas. Algumas questões surgem e são prontamente respondidas pelo simpático convidado, entre elas a feita pela anfitriã Monica ganha destaque pela reação de Walter. Ela pergunta se ele pode compartilhar como foi a experiência de ter conhecido Joseph Campbell.
Seguem-se alguns segundos de silêncio. Então Walter faz uma menção de sim com a cabeça. Olha fixamente alguns segundos para baixo, e conta que conheceu o mitólogo por trabalhar com publicações de livros. E que apesar de Campbell ser famoso na atualidade, no final dos anos 1970 ele não o era. Na verdade, ele levava uma vida bastante modesta em seu apartamento de dois quartos em Nova York, compartilhado com a esposa Jean Eardman. Campbell só se torna conhecido em nível mundial após seu falecimento graças ao destaque que ganha ao ser consultor de filmes como Guerra nas Estrelas, de George Lucas, e devido ao documentário O Poder do Mito. Nesse momento, enquanto compartilha algumas histórias, é perceptível sua admiração pelo mitólogo: sua fala é carregada de pequenas pausas, breves suspiros e olhares para baixo. Termina dizendo que a dedicação de Campbell ao trabalho foi grande fonte de inspiração para sua vida. Enquanto sua fala era traduzida para a plateia, Walter se debruça sobre a mesa de discurso apoiando a cabeça com uma das mãos e seu olhar parece distante.
Encerrado o encontro, alguns membros da plateia abordam o senhor simpático, que de forma solicita atende a todos. Hora está falando com um indivíduo, hora está imerso em uma roda, entretanto há certa pressa em partir. É Monica que o levará de carona de volta à São Paulo, onde ele tem uma agenda cheia de compromissos durante sua estada no país.
Distraída aguardando um colega, percebo o senhor de cabelos acinzentados se aproximando. Ele havia deixado sua blusa em cima de uma mesa próxima a mim. Para minha surpresa, ele não se dirige a mesa, mas sim, caminha diretamente na minha direção. Ele olha diretamente em meus olhos, me obrigando a apontar o queixo para cima, dada a considerável diferença de altura entre nós.
Robert Walter possui um ar de cavaleiro/sacerdote, olhar hipnotizante e humildade tocante. Viaja mundo afora carregando seu estandarte invisível, que não possui bordado o símbolo de reinos, clãs ou partidos políticos, mas sim o símbolo de algo que lhe é sagrado. Ele abre um leve sorriso e diz: “Eu gostei de ver seu sorriso durante a palestra”, no que eu ainda surpresa e meio sem jeito, respondo que achei a fala maravilhosa.  Peço desculpas por não falar inglês muito bem e ele responde: “Não tem problema”. Complemento dizendo que eu sorri muito durante sua apresentação, mas que também chorei. Ele, então, abre um grande sorriso e dá de ombros como quem diz: “Fazer o quê, né?”. Seu olhar é tão penetrante que não me recordo o que foi dito depois, apenas que digo que o verei no dia seguinte numa próxima palestra, esta no Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell, na Granja Viana, São Paulo. Ao que ele responde: “OK” levantando uma das mãos para esboçar um tchau, já caminhando em direção à saída.

Ao vê-lo partir, é quase possível visualizar seu estandarte invisível sendo carregado com esmero, com os símbolos bordados imaginários formados pela junção de três letras em um dourado reluzente que para ele é sagrado: “Joe”. Foi, sem dúvida, uma grande forma de encerrar o primeiro ano (de dois, em 2018 tem mais!) do ciclo de estudos sobre comunicação e afetos.